Um ponto de encontro entre internautas cristãos, professores de escola bíblica e pregadores.

ESTE MUNDO: LUGAR DE LAZER OU CAMPO DE BATALHA?


Há uma diferença enorme entre as atitudes tomadas nos dias de hoje e aquelas dos primórdios da colonização americana. Naqueles tempos, quando o Cristianismo exercia uma influência dominante sobre o pensamento americano, o mundo era considerado um campo de batalha. Os primeiros americanos acreditavam no pecado, no diabo e no inferno como constituindo uma força, e criam em Deus, na retidão e no céu como sendo outra força. Por sua natureza, essas forças eram opostas entre si numa hostilidade profunda, séria e irreconciliável.

Os seres humanos de então tinham que escolher um dos dois lados - eles não podiam manter-se neutros. Para eles tinha de ser vida ou morte, céu ou inferno, e se optassem por estar do lado de Deus, eles tinham a expectativa de que teriam que enfrentar uma guerra contra os inimigos de Deus. A luta seria real e mortal e duraria enquanto a vida permanecesse por aqui. As pessoas almejavam o céu como um retorno da guerra, como um embainhar das espadas para em paz desfrutar da vida no lar que lhes havia sido preparado.

Os sermões e os cânticos daqueles dias com frequência tinham uma qualidade marcial, e muitas vezes um traço de saudade do lar celestial. Os soldados cristãos pensavam sobre o lar, sobre o descanso e sobre o estarem juntos com os seus, e suas vozes cresciam em lamentação ao cantarem da batalha terminada e da vitória alcançada. Mas quer estivessem atacando as armas do inimigo, ou sonhando com o fim da guerra e com as boas vindas do Pai, eles nunca se esqueciam de como era o mundo em que viviam - era um campo de guerra, e muitos eram feridos e mortos.

Essa visão é inquestionavelmente de acordo com as Escrituras. Mesmo levando-se em conta as figuras e metáforas que são muito frequentes na Bíblia, é uma clara doutrina bíblica que tremendas forças espirituais acham-se presentes no mundo. A humanidade, por causa de sua natureza espiritual, está no meio dessas forças. Os poderes do mal inclinam-se a nos destruir, ao passo que Cristo está presente para nos salvar por meio do poder do evangelho. Para sermos libertos temos de colocar-nos do lado de Deus em fé e em obediência. Resumidamente, era isso que os primitivos americanos pensavam, e o que, cremos, é o que a Bíblia ensina.

Que diferente é hoje. A realidade permanece a mesma, mas a interpretação mudou completamente. As pessoas não mais pensam no mundo como sendo um campo de batalha, mas como um lugar de lazer. Não estaríamos aqui para lutar; estaríamos aqui para brincar. Não estaríamos num país estrangeiro; estaríamos em casa. Não estaríamos preparando-nos para a vida, mas já estaríamos vivendo a nossa vida, e o melhor que poderíamos fazer é livrarmo-nos de nossas inibições e de nossas frustrações para viver esta vida o máximo que pudéssemos. Isto, cremos, é um correto resumo da filosofia religiosa do homem moderno, abertamente professada por milhões e tacitamente aceita por muito mais pessoas ainda, que vivem de acordo com essa filosofia, mesmo que não a admitam por meio de palavras.

Esta mudança de atitude em relação ao mundo tem tido e está tendo uma influência sobre os cristãos, até mesmo sobre os cristãos evangélicos que professam a fé na Bíblia. Por um curioso malabarismo de figuras, fazem uma soma de forma errada e ainda assim dizem obter a resposta correta. Isso parece fantástico, mas é verdade.

A ideia quanto a este mundo ser um lugar de lazer em vez de um campo de batalha tem sido acatada praticamente pela grande maioria dos cristãos fundamentalistas. Eles podem responder com evasivas quando diretamente questionados quanto à sua posição, mas a conduta deles os denuncia. Eles estão querendo percorrer dois caminhos, desfrutar Cristo e o mundo, e com muita alegria dizem a todos que receber Jesus não requer que renunciem ao seu divertimento - o Cristianismo seria apenas a coisa mais divertida que se possa imaginar. O "culto" decorrente de tal visão da vida acha-se tão deslocado de seu centro como a própria visão em si mesma um tipo de casa de diversões noturna santificada, sem a champanhe e sem os bêbados de colarinho.

Trecho extraído de “ESTE MUNDO: LUGAR DE LAZER OU CAMPO DE BATALHA?”- A.W Tozer


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