Um ponto de encontro entre internautas cristãos, professores de escola bíblica e pregadores.

O SONHO PROFÉTICO DE FREDERICO DA SAXONIA




Você já sabe que cem anos antes de Lutero, João Huss (1369-1415), pré-reformador da Igreja, já havia profetizado a implacável reforma que Deus traria à igreja. Não sabe? Então leia este artigo aqui.

Agora, o que talvez você não saiba mesmo (e a depender dos teólogos e historiadores cessacionistas você nunca iria saber!) é que além da palavra profética na boca de Huss, cem anos antes da explosão da Reforma, Deus havia dado, menos de 24 horas antes do fato acontecer, uma revelação através de sonho a um importante político católico, trazendo-lhe com riqueza de detalhes o que aconteceria naquele 31 de outubro de 1517, frente à igreja de Wittenberg, na Alemanha. Quem narra este importante episódio que antecedeu poucas horas antes de Lutero dar as marteladas que pregaram suas 95 Teses, é o ministro presbiteriano (presbiteriano!) James Wylie, do século 19, em sua importante obra History of Protestantism. Leia e edifique-se:

“Passemos um momento do domínio da história, para narrar um sonho que o Eleitor Frederico da Saxônia [Frederico III] teve na noite anterior ao memorável dia em que Lutero colocou suas ‘Teses’ na porta da igreja-castelo [de Wittenberg]. O Eleitor contou na manhã seguinte ao seu irmão, Duque João, que residia com ele em seu palácio de Schweinitz, a seis léguas de Wittemberg. O sonho é gravado por todos os cronistas da época. De sua autenticidade não há dúvida, no entanto, podemos interpretá-lo. Citamos isso aqui como um resumido e dramático epítome do caso das ‘Teses’, e o movimento que surgiu delas.

Na manhã de 31 de outubro de 1517, o eleitor disse ao Duque João: ‘Irmão, devo lhe contar um sonho que eu tive na noite passada, e o significado do qual eu gostaria muito de saber. Estou tão profundamente impressionado em minha mente, que nunca vou esquecer, mesmo que vivesse mil anos. Pois sonhei três vezes, e cada vez com novas circunstâncias.’

Duque João: ‘É um sonho bom ou ruim?’
O Eleitor: ‘Eu não sei. Deus o sabe’
Duque João: ‘Não se preocupe com isso. Mas seja tão bom quanto possa dizer-me’

O Eleitor: ‘Tendo ido para a cama ontem à noite, cansado e desanimado, adormeci pouco depois da minha oração e dormi calmamente por cerca de duas horas e meia; acordei, e continuei acordado até a meia-noite, com todos os tipos de pensamentos passando pela minha mente. Entre outras coisas, pensei em como eu deveria observar a Festa de Todos os Santos. Rezei pelas pobres almas do purgatório; e supliquei a Deus que me guiasse, meus conselhos e meu povo de acordo com a verdade. Eu novamente adormeci, e então sonhei que o Deus Todo-Poderoso me enviou um monge, que era um verdadeiro filho do Apóstolo Paulo. Todos os santos o acompanharam por ordem de Deus, para prestar testemunho diante de mim, e declarar que ele não veio inventar nenhuma trama, mas que tudo o que ele fez foi de acordo com a vontade de Deus. les me pediram para ter o amor graciosamente para permitir que ele escrevesse algo na porta da igreja do Castelo de Wittemberg. Isto concedi através do meu chanceler. Então o monge foi para a igreja e começou a escrever em caracteres tão grandes que eu podia ler a escrita em Schweinitz. A caneta que ele usava era tão grande que o seu fim chegou até Roma, onde percorreu as orelhas de um leão que estava agachado lá e fez com que a tripla coroa sobre a cabeça do Papa tremesse. Todos os cardeais e príncipes, correndo apressadamente para cima, tentaram impedir que ela caísse. Você e eu, irmão, desejamos também ajudar, e estiquei meu braço... Mas neste momento eu acordei, com o braço no ar, bastante espantado, e muito enfurecido com o monge, por não usar melhor a sua caneta. Recordei a mim mesmo que era só um sonho.

Eu ainda estava meio adormecido, e mais uma vez fechei meus olhos. O sonho retornou. O leão, ainda irritado pela caneta, começou a rugir com todas as suas forças, tanto que a cidade inteira de Roma e todos os Estados do Império Sagrado correram para ver qual era o problema. O papa pediu-lhes que se opusessem a este monge, e se aplicassem particularmente a mim, por causa de seu estar no meu país. Despertei de novo, repeti a oração do Senhor, implorei a Deus para preservar a Sua Santidade e mais uma vez adormeci.

Então eu sonhei que todos os príncipes do Império, e nós entre eles, apressamos-nos a Roma e nos esforçamos, um após o outro, para quebrar a caneta; mas quanto mais tentamos, mais rígida se tornou, como se tivesse sido feita de ferro. Nós finalmente desistimos. Eu então perguntei ao monge (porque às vezes eu estava em Roma e às vezes em Wittemberg) onde ele pegou essa caneta e por que era tão forte. ‘A caneta’, respondeu ele, ‘pertencia a um velho ganso da Boêmia, há cem anos. E a obtive de um dos meus antigos mestres de escola (...)’. De repente, ouvi um barulho alto – um grande número de outras canetas surgiram da longa caneta do monge. Acordei pela terceira vez; era a luz do dia"

J. A. Wylie. History of Protestantism, Vol. 1, pp. 263-6
James Aitken Wylie (1808-1890) foi um historiador escocês de religião e ministro presbiteriano (Igreja Livre da Escócia), famoso por escrever contra dogmas da Igreja Católica e por sua obra sobre história do protestantismo.
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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
Segundo o historiador Justo Gonzalez, “Frederico, não protegia Lutero porque estava convencido de suas doutrinas, mas sim porque lhe pareceu que a justiça exigia um julgamento correto. A principal preocupação de Frederico era ser um governante justo e sábio” (História ilustrada do Cristianismo, vol. 6, Vida Nova, 1995, p. 57). Embora católico romano, Frederico, na luz que tinha, orava a Deus pedindo sabedoria para seu governo, a fim de agir sempre com justiça. Deus lhe dera, portanto, sonhos proféticos sobre Lutero, como dera ao gentio Cornélio em Cesaréia sobre Pedro. Sim, Deus fala, adverte e orienta-nos também através de sonhos! (Jo 33.14,15; At 10)

Antes que alguém suponha que esta história pode muito bem ter sido inventada, a fonte está dada e os que se interessarem podem ir mais fundo; ou que de alguma forma o Eleitor da Saxônia já sabia dos planos de Lutero, tendo sido de alguma forma bem informado antecipadamente dos intentos daquele monge, devo lembrar-lhes nas palavras dos historiadores A. Knight e W. Anglin: “Lutero escreveu [as Teses] e colocou na porta da sua igreja. Nenhum dos amigos de Lutero, nem mesmo os mais íntimos, sabia que ele as havia escrito; e o povo de Wittenberg ficou uma manhã espantado vendo-as colocadas na porta da igreja” (História do Cristianismo: dos apóstolos do Senhor Jesus ao século XX, 2. ed., CPAD, p. 215). Como bem disse Daniel, sobre o sonho do rei Nabucodonosor, “Deus revela coisas profundas e ocultas; conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele” (Dn 2.22). O que somente Lutero e Deus sabiam, foi revelado em sonhos, por Deus, ao eleitor da Saxônia. “Existe um Deus nos céus que revela os mistérios” (Dn 2.28)!

Eu que sou continuísta pentecostal, e que creio no agir soberano do Espírito de Deus, leio e creio confortavelmente em relatos como esse, tributando a Deus somente glória pela sua multiforme revelação aos homens! Deus ainda fala!

Tiago Rosas

Fonte: TiagoRosas

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